Fabricantes de celulares intermediários passaram a incluir funções de edição de fotos com IA, tradução em tempo real e resumo de notificações — recursos que até pouco tempo eram exclusivos de linhas premium.
Essa democratização é possível graças a chips mais eficientes e modelos de IA otimizados para rodar localmente, sem depender tanto da nuvem, o que também reduz a latência percebida pelo usuário final em tarefas do dia a dia.
Um dos recursos mais citados por quem já testou esses aparelhos é a remoção de objetos indesejados em fotos, que até pouco tempo exigia aplicativos de edição separados e algum conhecimento técnico para obter um resultado natural.
A tradução em tempo real durante chamadas e mensagens de texto também tem ganhado espaço, principalmente entre usuários que viajam ou se comunicam com contatos no exterior, eliminando a necessidade de abrir um aplicativo tradutor à parte.
Do lado da bateria, o processamento de IA local costuma consumir mais energia do que tarefas comuns, e fabricantes têm equilibrado isso com baterias de maior capacidade e otimizações de software que ativam os recursos de IA só quando realmente necessário.
Analistas do setor apontam que essa corrida por IA em aparelhos mais baratos é também uma resposta direta à estagnação de vendas que o mercado de smartphones enfrentou nos últimos anos, já que ciclos de upgrade ficaram mais espaçados.
Para o consumidor, isso significa mais recursos úteis no dia a dia sem precisar pagar o preço de um aparelho topo de linha, embora a qualidade de implementação varie bastante entre fabricantes — alguns recursos de IA ainda erram em cenários mais complexos, como fotos com múltiplas pessoas se sobrepondo.
Outro ponto que merece atenção é a questão de privacidade: parte do processamento de IA, mesmo sendo local, ainda depende de sincronização ocasional com servidores para melhorar modelos, o que levanta dúvidas sobre quais dados exatamente são compartilhados.
A tendência deve se acentuar nos próximos lançamentos, com fabricantes chineses como Xiaomi e Honor investindo pesado em marketing em torno de recursos de IA como diferencial competitivo frente a rivais também na faixa intermediária.

