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Indústria

Terras raras: o prazo de 10 de novembro e por que a China ainda controla essa cadeia

31 out 2026

Terras raras: o prazo de 10 de novembro e por que a China ainda controla essa cadeia

Em 10 de novembro de 2026 vence a suspensão das regras ampliadas que a China anunciou em outubro de 2025 para exportar terras raras e tecnologias ligadas a elas. Até a data em que escrevemos este texto, não encontramos anúncio oficial de prorrogação. Quem depende desses materiais, de montadoras a fabricantes de motores, acompanha o prazo de perto.

Por que terras raras importam

São 17 elementos químicos usados em ímãs permanentes, catalisadores, eletrônicos e equipamentos de defesa. O neodímio e o disprósio, por exemplo, entram nos ímãs de motores de veículos elétricos e turbinas eólicas, e também em servomotores e motores síncronos de ímã permanente usados na automação industrial. A dificuldade não está só em extrair o mineral, mas em separá-lo e refiná-lo, etapa em que a China tem posição dominante.

Linha do tempo

Abril de 2025: a China passou a exigir licença para exportar terras raras médias e pesadas (Anúncio 18/2025), controle que segue em vigor. 9 de outubro de 2025: Pequim ampliou as regras, incluindo equipamentos, tecnologia e produtos feitos fora da China com material de origem chinesa. Fim de outubro de 2025: encontro entre Trump e Xi Jinping. 7 de novembro de 2025: a China suspendeu as medidas ampliadas até 10 de novembro de 2026, segundo comunicado do Ministério do Comércio reproduzido por Eixos e Canal Rural.

Em 2026, o cenário não ficou calmo. Segundo boletim do escritório Tozzini Freire, a China proibiu em 6 de janeiro exportações ao Japão para fins militares e, em 22 de junho, incluiu 10 entidades americanas do setor de defesa em sua lista de controle de exportações.

O que mostram os preços e os volumes

A análise do Shanghai Metals Market para o primeiro semestre de 2026 mostra um mercado dividido. As terras raras leves fluíram com aprovações de licença em cerca de 30 dias, e o óxido de neodímio ficou perto de US$ 183 por quilo. As pesadas seguiram restritas: prêmio de 30% a 40% sobre os preços domésticos chineses e queda de cerca de 60% nas exportações de disprósio e térbio sobre o ano anterior. A análise também observa que montadoras como a Toyota passaram a importar motores prontos da China em vez de ímãs.

Três cenários para depois de 10 de novembro

Há três caminhos possíveis, e nenhum está confirmado. Prorrogação: mantém o quadro atual, com controles de 2025 sobre pesadas e prêmios elevados. Expiração: as regras ampliadas voltam a valer, com risco de choque de oferta, principalmente para fabricantes japoneses, segundo a SMM. Renegociação: um novo acordo entre EUA e China ajusta prazos e escopo. Analistas citados pela Mining Technology apontam que a infraestrutura de licenciamento chinesa foi suspensa, não desmontada, o que deixa a China pronta para reativar.

E o Brasil?

O país tem interesse crescente: dados da ANM citados no boletim da Tozzini Freire indicam 401 requerimentos de pesquisa de terras raras protocolados em 2026 até 8 de junho, e o governo estuda uma Estratégia Nacional de Terras Raras. Nossa leitura é que pedidos de pesquisa não equivalem a produção: entre pesquisar, licenciar, minerar e refinar, o caminho costuma levar anos, e o gargalo continua sendo o processamento.

O que isso significa para quem trabalha com motores e automação

Para quem compra servomotores, motores de ímã permanente ou geradores, a principal consequência possível é de preço e prazo de entrega, e não de falta imediata de peças. Vale perguntar ao fornecedor sobre estoques e alternativas, como motores de indução, que não usam ímãs, mas têm outro perfil de eficiência e controle.

Terras raras leves e pesadas: qual a diferença

O grupo se divide em leves, como neodímio e praseodímio, e pesadas, como disprósio e térbio. As pesadas aparecem em menor quantidade nos minérios e são usadas para manter o ímã de neodímio estável em temperaturas altas, uma exigência de motores de tração e de equipamentos industriais. Por isso a restrição às pesadas incomoda mais, e foi nelas que o ágio de preço apareceu na análise da SMM.

Como funciona a cadeia, do minério ao motor

O caminho tem várias etapas: mineração, concentração do minério, separação dos elementos, produção de óxidos e metais, fabricação dos ímãs e, por fim, montagem do motor. A reportagem do jornal panamenho Prensa lembra que a China domina o processamento global das terras raras pesadas. Esse é o ponto central: mesmo países com jazidas dependem de refino e de fabricação de ímãs que, hoje, estão concentrados fora de suas fronteiras. Também é esse o motivo de a tecnologia de processamento ter entrado nas regras chinesas.

Duas datas aparecem nas notícias

A maioria das fontes oficiais e da imprensa indica 10 de novembro de 2026 como o fim da suspensão, mas um site de acompanhamento regulatório cita 27 de novembro. Neste texto usamos 10 de novembro, que é a data do comunicado do Ministério do Comércio chinês.

Perguntas frequentes

As regras de 2025 ainda valem? Os controles de abril de 2025 sobre terras raras médias e pesadas continuam em vigor. O que está suspenso são as medidas ampliadas de outubro de 2025.

O que acontece se a suspensão acabar? Voltam a valer regras como a exigência de licença para equipamentos, tecnologia e produtos feitos fora da China com material de origem chinesa. Ainda não há confirmação sobre o que acontecerá.

Isso afeta o consumidor brasileiro? Indiretamente: pode pesar em preços e prazos de carros elétricos, eólicas e equipamentos industriais, mas o efeito exato é incerto e depende de estoques e contratos.

Fontes consultadas

Eixos: China suspende controles de exportação sobre terras raras

Canal Rural: suspensão vale até 10 de novembro de 2026

Monitor Mercantil: China suspende por um ano restrições a terras raras

SMM: exportações de terras raras da China no 1º semestre de 2026

Tozzini Freire: Boletim de Mineração, junho de 2026

Mining Technology: pausa nas exportações chinesas se aproxima do fim