Em 24 de abril de 2026, a startup chinesa DeepSeek lançou uma prévia do V4, seu primeiro grande modelo desde o R1, que ganhou fama em 2025. A novidade não está apenas no desempenho: é o primeiro modelo da empresa otimizado para chips chineses, como os Ascend, da Huawei, o que transformou o lançamento num teste de quanto a China consegue reduzir a dependência da Nvidia.
O que foi lançado
O V4 saiu em duas versões, ambas abertas e com licença MIT, segundo as notas de lançamento descritas pelo site Let’s Data Science. O V4-Pro tem 1,6 trilhão de parâmetros no total, com 49 bilhões ativados por token. O V4-Flash tem 284 bilhões, com 13 bilhões ativados. As duas aceitam contexto de 1 milhão de tokens. A empresa também citou uma arquitetura de atenção híbrida, que melhora a manutenção de contexto em conversas longas, de acordo com o Startups.com.br. Vale lembrar que se trata de uma versão de prévia, e não do lançamento final.
Por que os chips importam
Os modelos anteriores, V3 e R1, foram treinados em hardware da Nvidia, lembra a Business Today. Com o V4, a DeepSeek trabalhou por meses com a Huawei e a Cambricon para reescrever partes do código, segundo a Reuters, que citou o site The Information. No dia do lançamento, Huawei, Cambricon, Hygon e Moore Threads informaram suporte ao modelo, segundo o TrendForce. A reportagem da MIT Technology Review resume a aposta: o V4 é um teste de se o ecossistema chinês consegue funcionar com chips próprios.
A demanda por chips Huawei
Antes do lançamento, a Reuters, citando o The Information, informou que Alibaba, ByteDance e Tencent fizeram pedidos em grande volume, de centenas de milhares de unidades, do novo chip da Huawei. O TrendForce, citando o EE Times China, acrescenta que a procura teria elevado os preços desses chips em cerca de 20%. São relatos de bastidores, não números oficiais.
Os limites desse avanço
Há cautela entre analistas. A AI Business registra que a Huawei ainda está atrás da Nvidia em fabricação de chips e em software. A MIT Technology Review lembra que trocar a Nvidia não é tão simples quanto trocar uma peça por outra, porque o ecossistema de software construído em torno dela é enorme. Ou seja, o V4 mostra que o caminho é viável, mas não prova que a distância acabou.
O que isso significa na prática
Nossa leitura é que há três efeitos a observar. O primeiro é o preço: modelos abertos e eficientes pressionam o custo de uso de IA para empresas e desenvolvedores. O segundo é a geopolítica: se os controles de exportação dos EUA incentivam alternativas locais, o efeito pode ser o oposto do pretendido. O terceiro é a escolha de quem usa: rodar o modelo aberto em infraestrutura própria dá mais controle sobre os dados do que usar uma API hospedada na China, mas exige hardware de datacenter nas versões maiores.
Perguntas frequentes
O DeepSeek V4 é gratuito? Os pesos são abertos, com licença MIT, o que permite uso e modificação. Usar a API ou o aplicativo da empresa é outro serviço, com regras próprias.
Ele supera os modelos americanos? Não há consenso. Os resultados divulgados são da própria empresa, e comparações independentes ainda estão em andamento.
Fontes consultadas
MIT Technology Review: três motivos pelos quais o DeepSeek V4 importa
AI Business: DeepSeek-V4 pode mudar a corrida global de modelos
Reuters via ARY News: V4 vai rodar em chips Huawei
TrendForce: como o Ascend 950 impulsiona a China
Business Today: V4 com chips Huawei e o domínio da Nvidia
